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Projeto Semente das Águas - São Sebastião - DF

 

Projeto Semente das Águas - São Sebastião - DF

 

 

A acelerada urbanização vem causando danos irreparáveis ao patrimônio ambiental do Distrito Federal. A falta de planejamento na ocupação tem levado à degradação de áreas de preservação permanentes como as matas de galeria e o aterramento de nascentes que são as principais contribuintes na formação dos inúmeros córregos do DF. Atualmente, a APA (Área de Proteção Ambiental) do Rio São Bartolomeu e o córrego Forquilha, ambos em áreas ao leste do Distrito Federal, encontram-se com altos índices de degradação de suas matas de galeria, ciliares e cursos d’água, devido à rápida expansão de áreas residenciais e a alteração do destino da região (do Jardim Botânico). Este local estava planejado para abrigar propriedades agrícolas com a finalidade de fornecer produtos agropecuários e preservar o ecossistema local.


A partir da observação da degradação do meio ambiente e do desvirtuamento do plano de uso e ocupação do solo, o Projeto Semente das Águas foi planejado e implantado para desenvolver um modelo de trabalho, que visa a recuperação de áreas degradadas e atividades de conscientização ambiental para estudantes e professores de escolas públicas e privadas e a população residente. A primeira etapa do projeto consiste na implementação de um programa de recuperação, o qual envolverá o plantio de árvores nativas do cerrado, principalmente em matas de galeria e ciliares degradadas e áreas associadas às mesmas. Para esta atividade, o projeto conta com um viveiro de mudas, que produzirá 10.000 exemplares de espécies nativas do Cerrado, e paralelamente cursos de educação ambiental para os alunos das escolas públicas de São Sebastião. Esta fase conta com um curso de Gestão Ambiental e Reflorestamento, que tem carga horária de 40horas/aula para duas turmas de 30 alunos. A intenção deste curso é formar jovens, que tenham capacidade de serem multiplicadores e transmitir informações relevantes para a população de uma maneira geral, com o intuito de conservarem o ambiente em que vivem e melhorarem a qualidade de vida local.


Em parceria com a Diretoria da Regional de Ensino de São Sebastião, os alunos foram escolhidos por critérios, tais como: perfil de liderança, bom desempenho escolar, interesse na área ambiental e boa conduta. Ainda sobre o curso, as aulas oferecidas têm o foco na preservação do cerrado e dos recursos hídricos, dando ênfase à problemática da região da bacia do córrego Forquilha. Também será apresentado e trabalhado para professores e instrutores, assuntos como: coleta seletiva de lixo, desenvolvimento sustentável, noções gerais sobre meio ambiente e mudanças climáticas. Além de instruir os alunos, o projeto visa conscientizar a população do Jardim Botânico sobre a importância que os recursos hídricos e a preservação da vegetação nativa. Objetivo: O projeto Semente das Águas tem como objetivo contribuir para o desenvolvimento sustentável, promovendo o uso racional dos recursos naturais, a conservação do ambiente natural e a recuperação de áreas e nascentes degradadas nas proximidades do córrego Forquilha, o qual compõe a sub-bacia do ribeirão Taboca. Localização do projeto: O projeto terá como área de influência o leste do Distrito Federal, será realizado na cabeceira do Córrego Forquilha, na propriedade da Fazenda Jardim Botânico (Latitude: 15°5245.11"S e Longitude: 47°4828.62"O). A região em questão encontra-se próxima da reserva do Jardim botânico de Brasília, rodeada por condomínios residenciais e está inserida na APA do Rio São Bartolomeu (Figura 1.). Justificativa: No âmbito de sua missão, a Associação Preserve Amazônia no decorrer de suas atividades percebeu a necessidade de se trabalhar com a conservação e preservação do Cerrado, utilizando a educação como ferramenta fundamental na busca destes resultados.


Este relevante Bioma está sob a ameaça da expansão crescente das fronteiras agrícolas e urbanas. A partir da década de 1960, com o estímulo de políticas públicas e o aumento de linhas de crédito, a agropecuária se expandiu intensivamente no Cerrado, provocando, em ritmo exponencial, a conversão da paisagem natural em áreas agrícolas.


A substituição da vegetação nativa por pastagens, monoculturas e cidades está causando a extinção em massa dos ecossistemas da savana de maior endemismo de espécies do mundo, na sua grande maioria de forma irreversível. No Distrito Federal, a rápida expansão de condomínios, os assentamentos urbanos e o desrespeito à legislação ambiental estão levando a perdas de áreas significativas de vegetação nativa, inclusive dentro de Unidades de Conservação. Apesar de existirem alternativas para a preservação e conservação do Cerrado, apenas 2,41% da área deste bioma encontra-se protegida por algumas das categorias do Sistema Nacional de Unidades de Conservação. Estudos realizados pela Conservation International estimam que o Cerrado possa sumir completamente até 2030, caso nada seja feito.


Observa-se que as Áreas de Proteção Permanente (APP´s) não são respeitadas, como é o caso na Área de Proteção Ambiental (APA) do São Bartolomeu. Nesta região, as nascentes e os córregos estão sofrendo impactos com a retirada da vegetação e conseqüentemente o assoreamento da calha de drenagem de toda a bacia. Este é o cenário encontrado na região do córrego Forquilha (tributário do rio São Bartolomeu), que tem sua formação na Fazenda Jardim Botânica, sede da Associação Preserve Amazônia.


O projeto visa implementar ações que possam ajudar a reverter este cenário e garantir a proteção dos mananciais.


Atividades: 1. Construção do Viveiro O viveiro conta com uma área de 210 m2, que possibilita a produção de aproximadamente 12.000 mudas de espécies arbóreas do Cerrado. O objetivo do viveiro é fornecer as mudas para a recuperação de áreas degradadas associadas ao córrego Forquilha, foco e motivador do Projeto Semente das Águas. 2. Curso de Gestão Ambiental Em sua segunda etapa o projeto conta com um curso de Gestão Ambiental, o qual é formado por profissionais de diversas áreas e conhecimentos. O curso está disposto em três módulos. O primeiro deles iniciou as aulas no dia 20 de setembro de 2008, para 60 alunos da rede pública de ensino de São Sebastião, que foram divididos em duas turmas. O curso é ministrado aos sábados, aproveitando o projeto escola aberta, que recebeu com muito interesse o curso de Gestão Ambiental. O curso tem duração total de 40 h aula. 2.1 Cronograma do curso Módulo I – Introdução em Gestão Ambiental Módulo II – Introdução em Gestão dos recursos hídricos Módulo III – Mudanças climáticas e reflorestamento *Cada módulo apresenta seus respectivos trabalhos de campo. 3. Resultados /Conclusões O curso de gestão ambiental e reflorestamento, ocorrido entre 20 de setembro de 2008 e 02 de maio de 2009, foi realizado no âmbito do Programa Semente das Águas e patrocinado pela Embaixada dos Países Baixos no Brasil. O objetivo é ampliar o conhecimento e a educação ambiental, para que os alunos se tornem cidadãos conscientizados e disseminadores da informação sobre a importância da conservação e proteção do meio ambiente, principalmente na sua comunidade.


Participou desse curso um total de 60 alunos de três escolas da rede pública de ensino fundamental de São Sebastião. O curso teve carga horária total de 40 horas, sendo 24 horas aulas teóricas e 16 práticas, as quais foram ministradas aos sábados entre 08h30 e 12h30, revezando entre dois grupos de alunos. Buscou-se a conscientização de alunos em aspectos gerais relacionados a meio ambiente, recursos hídricos e mudanças climáticas. Para tal foi formada uma equipe de doze pessoas para coordenar as atividades e ministrar as aulas.


A partir da avaliação do desempenho dos alunos pode -se concluir que o objetivo do curso foi alcançado, já que a maioria dos alunos conseguiu assimilar os conteúdos passados durante as aulas teóricas e práticas. Conforme previsto no projeto, foram ainda reflorestados seis hectares ao longo do córrego Forquilha, com 10.000 mudas de espécies nativas do Cerrado. Essa atividade representa uma redução de GEE em torno de 12000 tCO2 em 30 anos.


O curso teve uma participação de várias entidades públicas e não governamentais e contou com uma ampla divulgação na mídia. Como resultado, o curso foi incorporado no Programa Escola Aberta do Governo Federal e resultou na participação de uma aluna na III Conferência Infanto-Juvenil sobre Meio Ambiente. Ainda foi realizado, no âmbito do projeto, o “I Seminário sobre Meio Ambiente de São Sebastião: Aquecimento Global e suas Conseqüências”, onde participaram aproximadamente 400 pessoas.


O curso foi um projeto-piloto e já obteve interesse de algumas entidades em investir e dar continuidade ao mesmo. Foi com esse intuito que o projeto previu a elaboração de uma proposta metodológica para multiplicar em toda a bacia do São Bartolomeu, e replicar em outras áreas de Cerrado, assim como na Amazônia. Com base nas experiências, estabeleceu-se a programação do curso, formatou-se o material didático e compos-se a equipe para o desenvolvimento das atividades, inclusive para o restauro florestal. Prevê-se um custo total de, aproximadamente, R$ 90.000,00 para a realização de um curso em gestão ambiental e reflorestamento de 10 aulas de um total de 40 horas para 30 alunos da rede pública de ensino. O valor inclui a produção de 12.000 mudas, podendo aumentar a produção de acordo com a demanda, que serão vendidas para entidades públicas e privadas para reflorestamento de áreas degradadas e mitigação de gases de efeito estufa.

 

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